Querida, desde que fostes, vigora em mim apenas uma estação, aquela de chuvas, mas chuvas de lágrimas, de quem quer apenas um aperto de mão, o que dirá um beijo apaixonado. Hoje sou mais homem, mas ainda penso em ti como menino.
Não é fácil esquecer aquele dia em que me destes a maçã. Eu, enamorado, entendi como um presente de amor, você, de barriga cheia, queria apenas repassá-la. Ríamos quando lembrávamos, mas é isso aí, mostrei-me tão doce em minha gratidão que dali para frente nos deliciamos como frutos permitidos.
Primeiro, amigos implicantes. Depois, confidentes. Enfim, amantes e eternamente amados. Onde estás com essa presença tão forte, tão aqui, tão acolá? Meu coração ferve quando passo em frente à sorveteira, aquela dantes frequentada por nós que, de tão gelada, lembra-me do teu corpo pálido, frio e inerte. Onde estás?
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